segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre mim, Lara.

É que é quase uma seleção natural. Mas não é sobre quem fica aqui, na varanda, mesmo quando dou motivos pra partir. É sobre os raros que eu vejo pela janela, e abro a porta da frente oferecendo abrigo. É esses, que eu quero comigo que as vezes não se sentem confortáveis e partem. E eu tenho medo de escuro. Então fica cada vez mais difícil. Não é qualquer um daqueles ali, na varanda me pedindo pra entrar que eu aceito. E a noite vai caindo... No escuro a gente não enxerga. E nossa maior fraqueza é aquilo que não podemos ver. Eu só quero alguém que quando eu deixar entrar passe todas as noites, e que se for embora, não faça isso no meio da noite, deixando a porta aberta e meu eu vulnerável. Só. Eu sei que é um baita egoísmo deixar tanta gente no sereno, da porta pra fora. Mas entendam! É por proteção. Não posso ir deixando alguém que eu não sei receber entrar, pisar no meu tapete, sentar no meu sofá e nem oferecer uma xícara de chá. Já pensou se cisma em se instalar? Eu não poderia viver uma farsa com um hóspede que não se encaixa aqui. Só entra e fica quem eu quero. Só vai embora os querem ir. 
E não espere que eu vá dizer, entre, seja bem vindo! Não é e nunca foi meu tipo. Eu vou abrir a porta, te dizer com o olhar. Não sou boa em me expor com palavras, mas se eu abrir a porta e você entender o sinal eu prometo que me esforço pra ser boa anfitriã.

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