terça-feira, 11 de agosto de 2015

Russa, roleta.


Metade dos meus amigos estão mortos. 
Acabo de ver um gato subir na árvore e engolir o pássaro direto do ninho. Pra casos assim, me emociono. 
Para possíveis sogras intratáveis e demasiadamente preocupadas em que peito está aconchegado vossos filhinhos, meu olhar mais dissimulado. Que culpa há em mim em ser o que ela quis, mas lhe faltou culhões? Não me faço de rogada. Sei me portar com todo meu decote, copo virado, cigarro e risada alta sim, desde o ninho de ratos ao ninho de ratos! Ops, do ninho de ratos a casa Deus, seja lá o que vocês pensam ser isso. Ele já saiu de lá há muito tempo, se querem saber. Aquele dia em que você atravessou a rua ao ver o homem pedindo ajuda e adentrou o templo celestial, ele já não estava mais lá.






Isso, vá em frente! Implora pra ele me largar e ir embora contigo. Eu divido meu cigarro com moribundos. Dou um gole da cachaça pra quem nome não tem. Não quero saber de céu. Teu céu és pra mim inferno, lotado de hipócritas. Acreditas mesmo que vão habitar o lar de Deus? Acham no burro suficiente pra dividir apartamento com vocês? Se ele escolher o mesmo prédio, há de ficar com a cobertura pra poder respirar um ar que não seja o vosso.
 Isso, grita que ele é ingrato! Como pode abandonar a senhora,   com esses olhos cheio de lágrimas, mas vazios de intenção, pra permanecer com alguém como eu?





Com olheiras e maquiagem escorrida? Com batom escuro, como é que você diz? De mulher da vida?!





Deserda-o! Menino criado em boa família, com bom emprego, deixando o lar pra viver de arte? Deve estar com algum encosto! Quando ele lhe diz o que ama eu sei que quase não lhe cabe tamanho desgosto! Ir viver de coisa de vagabundo, gente sem sobrenome.


Antes ficasse com Lúcia, moça de renome e pele alva,  curvas inexistentes no corpo e na alma, roupas claras, uma bela dama da alta sociedade programada pra só dizer sim. 



















Mas sabe o que é, Dona Marta? Lúcia não bebe uísque, cachaça, cerveja ou vinho. Lúcia até gosta das rosas, mas não sabe lidar com espinhos. De quadro ou música, Lúcia nunca foi musa. E o sexo, não convulsa. E eu dona Marta, eterna roleta russa!











-Lara Kustrowa.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Come on baby, light my fire!!

Ministério da Saúde Adverte:  Sentimento escrito é segredo que transborda, sujeito a efeitos colaterais, vide bula. Se houver reciprocidade nos sintomas não precisa de médico, você sabe onde me encontrar! Acordei com vontade de chocolate, e de você;  Já não consigo ouvir aquela música sem sentir o rosto esquentando e corando... sem me lembrar do gosto do teu beijo, que por sinal tem o gosto que hoje mais gosto. Não me esqueço  de coisas que antes não eram importantes. Eu não ligo com o quanto você é diferente do “meu tipo”. Talvez eu só achasse que eu tinha um antes de saber quem é você.  Eu sei que isso parece um chafurdar na lama dos românticos, mas nem tô. É, nem tô. Te escrevo mesmo cada letra sem o desdém costumeiro sobre os demais. Se eu soubesse arranjar todas as notas no lugar certo, é certo que te dedicaria um som, mas por enquanto você terá que se contentar com o arranjo das letrinhas. Olha aí... eu escrevendo de novo pra alguém que nem sei (ainda talvez) se gosta de sopa de letrinhas... Você gosta?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Só diz...

Eu tô vazia. Vazia de expectativas, vazia de razão também. Eu não sei como continuar, nem como parar aonde estou. Eu não quero algo que dure pra sempre, mas quero que dure enquanto der certo. Não quero promessas, quero presença. Não quero satisfação, mas quero informação. Eu preciso saber como você se sente a meu respeito porque eu quero dizer como me sinto a seu respeito.
Eu tenho pensado muito, mas não tenho escrito. Acho perigoso. Sempre que escrevo, alguém parte. Evito escrever há dias, com ânsia de que você diga tudo que pensa, antes de ir. É esse o roteiro de sempre. Eu sempre sei o que vem depois. Ou sabia, antes de você. Não sei se sinto medo da sua partida, mas acho que não devo sentir. Só te quis porque vi em você liberdade escrito na testa, não posso, não tenho direito de te prender. Sei que não é de sua natureza ficar. E se for voar, por favor, me diz se volta ou não. Seu silêncio dá margem demais pra minha imaginação.